terça-feira, 15 de junho de 2010

POEMA

♥ ♥




SEM METADES

Não me peça
Mais do que está disposto a me dar.
Não me ofereça
Nada além do que pretende realizar.

Não me atraia
Se não tiver a intenção de se doar.
Não me traia
Porque eu não saberia sequer revidar...

Não me magoe
Pois eu jamais ousaria te magoar!
Não me perdoe
Se o meu erro não puder superar...

Não me odeie
A menos que queira me ver sufocar.
Não me prometa
Nada do que talvez não vá concretizar...

Não me esqueça
Pois com tamanha dor, não aprendi a lidar.
Não me agradeça
Eu te amo, porque me é inerente te amar...

Não me abandone
Porque eu não conseguiria suportar.
Mas por favor, não me ame...
Se não for capaz de me deixar te amar!



♥ ♥

segunda-feira, 7 de junho de 2010

♥♥

Para cada e qualquer canto que olho
Só a ti vejo, está em todo lugar...

Todo cheiro suave ou rude que sinto
Só a ti me leva, e viajo... A recordar.

De que adianta ter outro corpo?
É só no teu que quero me enlaçar!

Para que beijar outros lábios?
É só a ti que sonho pra sempre beijar...

Adiantará esconder o que sinto?
Está tudo explícito aqui, em meu olhar...

Passeio por quaisquer lugares
Volto, invariavelmente, a esse mesmo lugar.

Fujo, me escondo, procuro saídas
Mas caio em ti, somente em ti, sem nunca cessar!

Por que não desisto simplesmente de me negar?
Sim, eu quero em ti me jogar! E só a ti desejo amar...


♥♥

Minha essência, o que sou!

♥ ♥ 





AMO

Eu amo o amor acima de todas as coisas:

Eu AMO dizer EU TE AMO!
E quando eu digo, é verdade!
Amo gestos de carinho
Amo ver solidariedade
Amo os atos de coragem
Amo o ser humano, sem distinção
Amo a natureza
Amo ver pessoas sorrindo
Amo poder consolá-las quando choram
Amo abraçar e ser abraçada
Amo troca de afeto
Amo beijos de amizade
Amo ainda mais, os beijos apaixonados
Amo o canto dos pássaros
Amo o sol radiante e seu calor
Amo a luz alva do luar
AMO fazer amor...
Amo o brilho das estrelas
Amo os Deuses e Deusas mitológicas
Amo ler até as mais absurdas histórias
Amo me emocionar no cinema
Amo cantar alto, dançando feito louca
Amo dar vexames de amor!
Amo receber aquele telefonema inesperado
Amo o mar, e sentir as ondas batendo em minhas pernas
Amo tomar café e comer bolo de fubá cremoso!!
Amo cheiro de mato molhado...
Amo conversar, e falar, falar, falar... (hahaha)
Amo sorrir, dar risada, amo gargalhar...
Amo não ter vergonha de amar...
Amo meus amigos como a mim mesma, talvez até mais...
Amo visceralmente quase tudo que o dinheiro não pode comprar
Mas amo especialmente, as pessoas que também sabem amar!!



♥ ♥

    sábado, 5 de junho de 2010

    POEMA

    **




    ABANDONO

    Ilusão infantil que eu criei
    Amor que sem começar acabou...
    Amor que intensamente amei
    Amor que nunca me amou...

    Sentimento tolo que inventei(?)
    Felicidade que não desabrochou
    Sinais que erroneamente interpretei
    Lições que a vida não me ensinou

    Momentos todos que só imaginei
    Lábios que meu corpo acariciou
    Sonhos que sozinha sonhei
    Verdade cruel que me acordou

    Caminho tortuoso que só, trilhei
    Tantas pedras, por Deus, como me machucou!
    Amontoado de culpas minhas, eu sei...
    Ah, meu coração... Também me abandonou?


    **

    quinta-feira, 3 de junho de 2010

    POEMA

    **




    IMPERFEITO E MORTAL

    Quero um amor que me embale,
    me cante canções de ninar ao pé do ouvido,
    acaricie meus cabelos enquanto adormeço...

    Quero um amor que me amarre,
    e me mantenha presa (de amor) em seus laços,
    que me faça sentir protegida em seus braços...

    Quero um amor que me fale tudo,
    até as verdades mais difíceis e amargas,
    e que esteja presente para enxugar minhas lágrimas...

    Quero um amor que me dê carinho,
    que me convide inesperadamente para dançar,
    aquele em quem eu possa incondicionalmente confiar...

    Quero um amor que seja companheiro,
    que compartilhe comigo os bons e os maus momentos,
    que ria e chore comigo, numa troca profunda de sentimentos...

    Quero um amor que seja só meu,
    que me tome pra si com ferocidade e cândura,
    que se entregue a mim da forma mais louca e pura...

    Quero um amor sem pudores, sem vergonha,
    que seja intenso, insensato, verdadeiro e corajoso,
    que não tema parecer rídiculo, e que me ame com gosto!

    Quero um amor que seja absoluto, total...
    Na imortalidade (passageira?) do amor,
    almejo só, um ser humano imperfeito e mortal...


    **
    ♥♥♥


    É preciso viver o amor em toda sua plenitude, e agora.
    É necessário se jogar nas garras da paixão, sem temer os possíveis e até prováveis arranhões que virão.
    Porque o amanhã logo será hoje, o hoje está passando rápido demais, e a vida não para enquanto estamos atados às amarras da prudência!



    ♥♥♥

    terça-feira, 1 de junho de 2010

    POEMA

    **





    ILUSÃO

    Sonhei teu sonho segregado
    Mergulhei no teu eu profundo
    Entreguei-me ao teu agrado
    Quis a entrada do teu mundo...

    Confesso, queria amor macio
    Te fiz herói, ilusão que criei...
    Mas abri os meus olhos vadios
    Só penumbra e mágoa encontrei...

    Descobri horrores forjados
    Labirinto fétido e imundo...
    Alguém totalmente inventado
    Amores rotos e moribundos!

    Vislumbrando o opaco do vazio
    Vi as mentiras em que acreditei
    Correm em você como um rio...
    Mentiras de que vive, eu sei!


    **

    sexta-feira, 28 de maio de 2010

    UM "SONETOZINHO"

    **




    DESILUSÕES

    Quando finda o encanto
    Revelam-se as verdades
    Derrama-se todo o pranto
    Mas ficam as saudades...

    Sobre os erros joga-se o manto
    Esconde-se então as maldades
    Sabe-se apenas que amou tanto
    Busca-se novamente felicidades

    Luta-se para viver a emoção
    De encontrar uma nova paixão
    Um novo desejo, fogo e ardor...

    Mas é triste e fria a sensação
    Que assola qualquer coração
    Quando sente findar um amor...


    **

    quarta-feira, 26 de maio de 2010

    POEMA

    **




    FACETAS


    Eu tenho tudo
    Eu não tenho nada
    Sou madrugada
    Sou alvorada

    Eu caminho
    Eu sigo parada
    Sou escuridão
    sou iluminada

    Eu choro de dor
    Pulo de alegria
    Sou sem cor
    Sou colorida

    Eu me aproximo
    Eu vou embora
    Sou execrada
    Sou bem vinda

    Eu quero ser livre
    Eu estou amarrada
    Sou amada
    Sou iludida

    Eu me escondo
    Eu me embriago
    Sou reservada
    Sou atrevida

    Eu choro covarde
    Eu me banho em coragem
    Sou medrosa
    Sou destemida

    Eu brigo e berro
    Eu peço pra ser perdoada
    Sou intolerante
    Sou desarmada

    Eu fico louca
    Eu fico maravilhada
    Sou indignada
    Sou abençoada

    Eu fico quente
    Eu torno-me gelada
    Sou dia de sol
    Sou noite enluarada

    Eu acerto
    Estou sempre errada
    Sou querida
    Sou odiada

    Eu quero o céu
    Eu tenho o inferno
    Sou pecadora
    Mereço ser perdoada?

    Eu faço loucuras
    Paixão desmedida
    Sou o alívio da chegada
    E a dor da despedida...


    **

    domingo, 23 de maio de 2010

    POEMA (?)

    **




    INCONDICIONALMENTE

    Sigo vivendo desse jeito, assim,
    perigosamente

    Te deixei entrar, nem sei como,
    inexplicavelmente

    Me fez sentir viva e feliz, ainda que
    incoerentemente

    Acelera meu coração de uma maneira... Ah!
    Loucamente

    Rasga meu peito num arroubo, e se instala lá no fundo
    interiormente

    Mexe com minh'alma, assim, a um só tempo, amorosa, sutil e
    insanamente

    Bem querer que não finda, só quer, quer, quer...
    Incessantemente

    Ilusão? Sonho? Loucura? Devaneio? Seja o que for, é. E é
    completamente

    Vontade de te sentir aqui, bem aqui em mim,
    desesperadamente

    E só pode ser você, tem que ser você, só você,
    exclusivamente

    Ah! Os tantos beijos com que sonhei e sonho,
    ardentemente

    Os carinhos que com volúpia vai me dar, feroz ou
    suavemente

    Os sussurros e carícias que sentirei, arrepiada e
    deliciosamente

    A resposta imediata do meu corpo, que sei, virá,
    imediatamente

    Desejo louco, insensato, que me aplaca,
    inevitavelmente

    Louca? Pode ser! Mas é assim que quero você...
    Imprudentemente

    Se vai me faz sofrer, então dane-se, fará...
    Fatalmente

    E se eu tiver que chorar, então chorarei, terrivel e
    desgraçadamente

    Porque não vou fugir, não sou e não serei covarde...
    Simplesmente

    Quem disse que tem que ser pra vida inteira? Enquanto durar, eu sei, vai ser, eternamente

    Se é amor ou paixão pouco importa, só sei que está aqui, latente,
    implacavelmente

    O que vai ser? Não sei! Mas quero você, quero agora e quero
    incondicionalmente...




    **

    sexta-feira, 21 de maio de 2010

    POEMA

    **





    ESPERANÇAS

    Se eu gritar
    bem alto, agudo, forte
    alguém me ouvirá?

    Se eu chorar
    lágrimas de sangue derramar
    alguém virá me consolar?

    Se eu me calar
    ficar reclusa e só
    alguém vai reparar?

    Se eu sorrir
    ficar feliz, reluzente
    alguém se contentará?

    Se eu disser tudo
    usar as melhores palavras
    conseguirei o que sinto expressar?

    Se eu me dedicar
    der o melhor de mim
    de alguma coisa adiantará?

    Se eu me entregar
    de corpo, alma e coração
    alguém se importará?

    Se eu sumir
    desaparecer, se eu morrer
    minha falta alguém sentirá?

    E se eu amar?
    amar, amar, amar e amar
    conseguirei seu coração tocar?


    **

    quarta-feira, 19 de maio de 2010

    POEMA / PENSAMENTO

    **




    TEMPO

    Há tempo de plantar
    E há tempo de colher

    Há tempo de parar
    Há tempo de correr

    Há tempo de falar
    E o de só escutar

    Há tempo de aproveitar
    E o tempo de descansar

    Há tempo de ser racional
    E o de se deixar pela emoção levar

    Há o tempo de ter medo
    E o tempo de os vencer

    Há tempo só de pensar
    E há tempo de fazer acontecer

    Há tempo de ser sensato
    E o de loucuras cometer

    Há tempo de se entregar ao amor
    E o tempo de sofrer

    Há tempo de lutar
    E o de saber perder

    Há tempo de chorar
    E de ser muito feliz também!

    Há tempo pra tudo
    Até para nada tem tempo...

    Há muito tempo para se viver
    até o inevitável tempo, de se morrer...

    **

    terça-feira, 18 de maio de 2010

    POEMA

    **




    SUFOCADA


    Procuro razões, resisto em admitir
    Que não tenho motivos para sorrir
    Não possuo pessoas a quem me abrir
    Ou um lugar seguro para onde ir

    Vivo sozinha em meio à multidão
    Experimento o dissabor da solidão
    Ando por entre carros na escuridão
    E só meus olhos cegos me conduzirão

    Em busca de uma coisa qualquer
    Na ânsia louca de sei lá o que
    Será um desejo insano de ter?
    Necessidade de uma resposta? Um porque?

    Ah! Que medo tenho dessa tal prudência   
    Saudade da quase leviandade, da impaciência
    Que me fez livre, me permitiu em sonhos voar...
    - Não Dona Sensatez, não venha novamente me sufocar!


    **

    quinta-feira, 13 de maio de 2010

    PENSAMENTO

    **




    BOMBAS E FLORES


    Estive pensando muito acerca das palavras, da sua importância, do que elas podem causar nas pessoas, de como elas podem modificar a forma de pensar e de agir de alguém, do quanto as palavras podem persuadir ou ensinar, do quanto elas podem ferir ou alegrar, do quanto as palavras podem salvar ou afundar de vez uma pessoa nos caminhos da amargura e do desamor.

    A realidade é que as palavras podem ainda mais do que isso, elas têm um poder que nós, errônea e/ou inocentemente subestimamos.

    E é assim que muitos desentendimentos e desencontros acontecem nessa vida, por palavras ditas ou pelas não ditas!

    Quem escreve como eu, ou quem tem grande paixão por literatura por exemplo, inevitavelmente acaba criando com as palavras um vínculo, muitas vezes imperceptível, de extremo afeto. Nós nos pegamos bravos quando vemos alguém escrever o português muito errado.

    Mas isso não porque nos julgamos superiores, ou porque queremos dar lição a ninguém, ao contrário, é só e puramente amor a nossa língua pátria e à todas as suas palavras...

    Eu sempre acreditei e falei pra quem quisesse ouvir, que aquele papo de que “as vezes é melhor calar” ou "o silêncio pode valer mais do que palavras", era papo de quem não sabia quais palavras dizer, ou não tinha coragem pra isso...

    Para mim, ao contrário, o provérbio correto, de quem infelizmente não sei a autoria sempre foi: "calar é a sabedoria dos tolos", e todo o resto, era história pra boi dormir.

    Dentro da minha insignificância, as palavras nunca foram dispensáveis, elas sempre precisavam e deviam ser ditas, porque se não dizemos, como se fazer entender?

    Cresci e me formei acreditando que ninguém é obrigado a advinhar nada, nem a entender gestos, olhares e entrelinhas, por isso, tornei-me franca e excessivamente direta. As palavras sempre se entenderam bem comigo e eu com elas, por isso, elas nunca me faltaram, ao contrário, acabei por usá-las à exaustão.

    Tanto, que me excedi e no percurso, me perdi...

    A realidade, é que nunca me preocupei se alguém pudesse sair magoado pelas minhs palavras, porque sempre falei o que acreditava, pensando ser esse o melhor caminho, de que mais vale a verdade que machuca, do que a mentira que afaga.

    Obviamente magoei algumas pessoas, nunca deixei de pedir perdão e certamente sofri, senão mais, pelo menos tanto quanto a pessoa magoada, porque além de amante das palavras, sou uma chorona sensível de primeira linha! rsrs

    Mas eis que enfim, me deparei com uma situação peculiar: - De fato, eu não preciso esconder as palavras, mas eu preciso sim, ter responsabilidade ao usá-las!

    Alguém me disse:

    "as palavras tem que ser manipuladas com cuidado pois podem ser piores do que bombas atômicas."

    Bombas atômicas, quando lançadas, têm um poder de destruição abissal! E isso me deixou assim, pensando se eu posso nessa vida, ter provocado um efeito "Hiroshima" em alguém.

    E em meio a tantos pensamentos, lembranças e palavras, fico a me perguntar:

    - Quantas bombas atômicas terei eu usado em minha vida?

    Se foi sem querer, se não foi por mal, na verdade parece que nem interessa mais... Qual a diferença? Porque desculpas nem sempre resolvem os problemas, não curam as feridas mais profundas, nem remediam a morte...

    A morte de uma pessoa, a morte de um amor, a morte de uma amizade...

    Talvez um dia eu aprenda a usar as palavras com sabedoria. Talvez um dia eu faça das minhas bombas, flores, e nesse dia, eu quem sabe possa me dizer, que todas elas valeram a pena ser ditas (ou escritas)!


    **

    POEMA

    ** 



    EU AMO VOCÊ

    Apenas três palavras...
    Um mantra
    Uma prece
    Uma declaração?

    Um argumento
    Uma resposta
    Uma mentira
    Uma constatação?

    Um erro
    Uma dádiva
    Uma certeza
    Uma ilusão?

    Um desejo
    Um milagre
    Uma fantasia
    Uma devoção?

    Um raio de sol
    Uma estrela no céu
    Um anseio da alma
    Um grito do coração?

    O desabrochar de uma flor
    O bater das ondas no mar
    O canto de um beija-flor
    Uma fascinante inspiração?

    Eu amo você...

    Tão simples
    Tão complicado
    Tão singelo
    Tão ousado

    Tão plausível
    Tão surreal
    Tão subjetivo
    Tão próximo ao Paraíso!

    Só três palavras (só?)
    Tanto infinito de emoção
    Tantos significados...
    Nenhuma explicação!


    **

    quarta-feira, 12 de maio de 2010

    POEMA

    **



    COERÊNCIA INCOERENTE


    Sou aquela que tudo vê
    mas que nada sabe
    Sou aquela que tudo lê
    Mas que nada aprende
    Que tudo escuta
    mas que nada entende...

    Sou aquela que tudo procura
    mas pra quem nada importa
    Sou aquele pássaro livre
    que sem asas, gritando bate à porta
    Sou aquela folha seca
    caída daquela árvore morta...

    Sou aquela que viveu intensamente
    agora sobrevive de farelos, migalhas...
    A linda flor que desabrochou
    Maltratada, sou só o que dela restou
    Sou a pirâmide mais que perfeita
    que numa aragem desmoronou...

    Sou a Deusa mitológica, a mulher feiticeira
    sem poderes ou atrativos, sou corriqueira...
    Sou a fortaleza inabalável
    que despencou à primeira rasteira
    Sou o iceberg gelado e duro
    que queima por dentro numa fogueira!

    Sou aquela translúcida, transparente
    Que fala a verdade até quando mente
    Antes amante, louca, insensata, tão tão apaixonada
    Hoje vazio, imensidão de nada, coerência incoerente...
    Sou aquela que sentiu tudo, tudo, e mais!
    E que já não sabe o que, como, e se ainda sente...


    **

    sexta-feira, 7 de maio de 2010

    POEMA

    **



    FANATISMO

    Comtemplo-o quando observo o firmamento
    Sempre ausente, está em todo lugar!
    Inviolado, hermético, que tormento!
    Se vai, e insiste em me enclausurar

    Por Deus! Me consome, segue martelando...
    Perfume tenebroso, amaldiçoado visgo  
    Sórdida e vagarosamente me matando...
    Sortilégio! Infindável, cruel castigo!

    Solta-me! Preciso jogar-me no abismo
    Mergulhar no mais temível furação
    Provocar o pior dos abalos sísmicos
    Ou te trancar aqui dentro dessa visão!

    Vingança? Não! Profecia, promessa...
    Vê-lo sentir por um instante o que sinto
    Dissolver-me-ia... Um átomo, uma célula
    Qualquer coisa eu seria por esse momento!

    Oh! Espasmo que leva embora o sacrilégio
    Lufada de esperança, nódoa de razão
    Aonde estão? Venham, me dêem o privilégio
    Um lampejo de sonho que seja... Uma ilusão...


    **

    quinta-feira, 6 de maio de 2010

    CRÔNICA

    **

    Para começar essa divagação, explanação,  crônica, ou esse monte de questionamentos que se seguem, vou atacar de "Metade", belíssimo poema de Oswaldo Montenegro, que é sempre, sempre, sempre, tão brilhante:


    "Porque metade de mim é amor... 
    E a outra metade, também é!"


    AMAR NÃO É DIFÍCIL!

    Nessas minhas andanças errantes, me deparei com algo peculiar, que mexeu comigo e me colocou a pensar... 

    Percebi como tanta gente, e cada vez mais, fala sobre o amor, algo do tipo: "já fui assim, já fiz isso, mas hoje sou mais prudente, porque sofri demais e aprendi"...

    E daí, já viu né? Mexeu com o amor, mexeu comigo! hahaha

    Não sou, nem pretendo ser dona de uma verdade qualquer (aliás elas existem?), mas sou, e sou mesmo, uma APAIXONADA e defensora ferrenha do AMOR!

    Então, eu queria muito entender o que significa esse tal de: "APRENDI".

    Sim, como seres em evolução (será?) devemos, ou ao menos deveríamos, sempre aprender com nossos erros, e com os acertos também!

    Mas qual o erro em amar demais, mesmo que tenha sido a pessoa errada?
    Se você deu tudo de si, entregou-se por inteiro, e não deram valor, então você acha que não valeu a pena?
    O que você "aprendeu"? 
    A nunca mais fazer isso?
    A amar "a partir de agora" do jeito certo?
    E qual é o jeito certo? 
    Quem definiu essas regras? Aonde elas estão, por favoooorrrr!!!

    No meio desse amontoado de pensamentos e conjecturas, me pergunto e te pergunto:

    Será, e isso é só uma possibilidade, que se você fez tudo isso e quebrou a cara, você não tenha feito o certo, tenha feito a sua parte, tenha dado o melhor de si para um amor, para uma relação? E se foi assim, isso foi um erro? Deveria ser diferente?

    O amor não é matemática. Não é como se pudessemos dizer que 2 + 2 = 4.

    Os relacionamentos nunca serão iguais, porque dois seres humanos NUNCA são iguais!!

    Então, eu queria muitíssimo saber e talvez quem sabe, um dia eu possa entender! Já que quando as pessoas sofrem algum tipo de decepção amorosa, em algum momento da vida, elas aprendem. O que, afinal, elas aprendem? Porque tenho a impressão, ou melhor a certeza, de que não aprendi nada disso!

    Aprenderam a desistir da entrega absoluta e irrestrita?
    A desistir da infindável procura pela felicidade a dois (que é bem mais gostosa que a felicidade só)?
    APRENDEM a se acovardar diante do novo e desconhecido?
    APRENDEM a se esconder na "razão" para não admitirem que têm medo?

    Eu preciso entender! Alguém poderia enfiar isso na minha cabeça tão passional?

    Porque se for isso tudo que relatei aqui, sei lá, ter medo é tão humano! E ser humano é tão lindo...

    Além do que, superar os medos não é vencer? Meu Deus!! Ninguém aprendeu isso?

    Afinal: Não vale mais a pena arriscar-se por amor?

    E se por medo ou prudência, você perder a chance de viver o grande amor da sua vida? Talvez ela também tenha o mesmo medo que você, talvez tenha APRENDIDO as mesmas lições, e então, vocês nunca se entregarão um ao outro por completo?

    E se você estiver perdendo a chance de viver os seus melhores momentos, aqueles que quando tiver 90 anos, vai lembrar sorrindo?

    "Ah, mas se não der certo, eu vou quebrar a cara, vou sofrer, e eu sei como é ruim, como dói!"

    Sim é verdade, eu que o diga! Mas tem tanta coisa ruim nessa vida e que dói também, mas que a gente é obrigado a suportar... Como por exemplo a morte de um ente querido, e dessa não podemos nem mesmo fugir!

    No entanto cada vez mais, assisto as pessoas a minha volta fugirem do amor. Por que?

    Agora me diz: se tiver que doer, por amor não vale a pena?


    **

    quarta-feira, 5 de maio de 2010

    UMA CANÇÃO, UMA EMOÇÃO...

    **


    Hoje, eu queria fazer minhas, as palavras da Ana Carolina, de quem sou fã incondicional. Aliás, de fato, se Deus existe, ele tocou a cabecinha dessa mulher com um carinho peculiar... Ela tem o condão de me emocionar além do limite!

     TRANCADO

    "Eu tranco a porta
    Pra todas as mentiras
    E a verdade também está lá fora
    Agora a porta está trancada
    A porta fechada
    Me lembra você a toda hora
    A hora me lembra o tempo que se perdeu
    Perder é não ter a bússola
    É não ter aquilo que era seu
    E o que você quer?
    Orientação?
    Eu tranco a porta pra todos os gritos
    E o silêncio também está lá fora
    Agora a porta está trancada
    Eu pulo as janelas
    Será que eu tô trancado aqui dentro?
    Será que você tá trancado lá fora?
    Será que eu ainda te desoriento?
    Será que as perguntas são certas?
    Então eu me tranco em você
    E deixo as portas abertas (...)"


    **

    POEMA

    **




    DEVANEIO

    Tristeza implacável, medo e desesperança me afagam
    Até as mais doces recordações apagam
    Inaceitável fraqueza, estúpidos receios...

    As lágrimas por minha face escorrem
    O meu pescoço longo vagarosamente percorrem
    Só para descançar languidamente em meus seios...

    O arrepio causado me lembra o toque, me agrada
    Os teus dedos, as tuas mãos, tão sagradas
    A matar com rara perfeição meus anseios...

    Só, nessa cama gelada, ambiente isolado
    Posso sentir o teu hálito, abafado
    Em meus lábios, meus ouvidos... Devaneio!

    Essa tua presença afasta todo o medo
    Esquenta o maldito quarto esquálido
    Acende a chama morta, incendeia!

    No escuro sussurro teu nome, sempre teu nome...
    Enquanto em meu corpo casto e com fome
    Tua língua atrevidamente passeia...

    Me toca com tamanha paixão e indolência
    A um só tempo, é carinho e urgência
    Desejo insano que tortura, me causa cegueira...

    Num gemido anestesiado de amor e dor
    Me sinto desfalecer em êxtase e torpor
    Abro os olhos... Vazio... Cadê os teus braços? 


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