quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

POEMA


*****





DESCOBERTAS

Como fazer luz onde só há escuridão?
Como afugentar a tristeza do coração?
Como amar sem perder totalmente a razão?
Como continuar firme após uma decepção?

Vivendo?
Esperando?
Lutando?
Amando?

Ou será preciso mais?

Respostas que sempre carreguei dentro do peito,
não quis enxergar, porque pareciam sem efeito...
Levanto a cabeça, vejo agora que me negava ao fim;
continuo amando, mas posso enfim, amar mais a mim!

Descobri que palavras ferem como atos e gestos,
que coisas impensadas levam a sentimentos abjetos.
Descobri que quem ama precisa também respeitar,
e que só assim, pode-se as diferenças superar...

Descobri que tudo está aqui, no meu coração;
a força vem da razão envolta no manto da emoção.
Percebi que não preciso desistir de tudo por amor,
que sou livre, porque conheço também a face da dor!

Descobri que crescer, é cair, levantar, erguer a cabeça,
que o horizonte se apresenta, sempre, com mais beleza;
que basta abrir os olhos para ver todas as possibilidades,
que posso sonhar muito, sem me esquecer da realidade...

Descobri que posso amar, e amo!
Descobri que posso viver, e vivo!
Descobri que posso ser feliz, e serei!
Descobri que posso tudo, e o farei!


*****

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

POEMA DE AMOR


*****



O MEU AMOR


O meu amor precisa do sol...

E é o sol que hei de ser,
hei de iluminar os teus dias,
aquecer tuas mãos quando estiverem frias,
afugentar todo e qualquer pensamento escuro;

hei de tornar nosso mundo mais puro,
de estar sempre em ti radiante,
sentir nosso amor em meu corpo,
e o suor do nosso êxtase triunfante!

Ah! Hei de ser enfim o teu clarão,
o teu colorido em meio à imensidão,
em nosso céu recheado de mel e amor,
hei de brilhar, tocando-te com meu calor.


O meu amor precisa da lua...

E a lua também hei de ser,
todas as noites o visitarei,
com minha pele alva hei de fazer,
doçuras de amor com que o brindarei...

Hei de ser nova, cheia e crescente,
nunca minguar, estar sempre presente;
hei de ser a maior beleza na madrugada,
acalentar o sono depois de ser amada.

Hei de retornar, todas as noites, ardente,  
me entregar, outra vez, e novamente...
Com estrelas cintilantes a nos observar,
testemunhando o verdadeiro significado do amar...


O meu amor precisa de liberdade...

Hei de ser tuas asas!
ou ao menos ajudar-te-ei a voar,
se preciso for, hei de fazer-me vento,
para que o sinta suave, a face lhe tocar.

Hei de ser a brisa que vem a lhe acariciar,
o sopro de alegria a enfeitar o teu lindo olhar;
hei de ser a consumação dos teus maiores desejos,
a sensação de liberdade que provém dos teus anseios.

Hei de vê-lo ir, livre, a quaisquer lugares,
conhecer pessoas, mudar de rumos, nadar em mares;
hei de esperar pela tua volta, ainda que aflita,
na certeza de quem em mim, e só em mim habita...


O meu amor precisa de felicidade...

Hei de ser os afagos ternos em dias ruins,
o sorriso gostoso que nunca há de ter fim;
hei de ser a mão a afagar teus cabelos,
a acarinhar tua pele e teu corpo inteiro...

Hei de ser dentre todos, o maior sorriso,
o mais bonito e sincero, que reluz em regozijo,
hei de viver ao teu lado em sublime felicidade,        
e se distante, amar-te-ei com cumplicidade...

Ah! O meu amor... Precisa de tudo e de nada,
só ele não vê que está em mim, é minha morada,
faz-me feliz, faz-me sol, faz-me tudo, faz-me lua:
- Hei de ser, meu grande amor, eternamente tua...


*****

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

POEMA

*****





LIBERDADE SONHADA


Não quero mais falar dos dissabores,
da ausência de afeto,
dos falsos amores...
Não quero mais viver paralisada,
de cabeça baixa, de mãos atadas.

Hoje deixo o arrependimento pra trás,
levanto-me desse sepulcro
em que há tanto tempo minha mente jaz.

Resgato meus pensamentos,
busco mais um pouco,
ou quem sabe muito,
muito mais do que bem mais...

Me nego a derramar uma única lágrima,
molharei minha face com água pura, limpa, doce.
Deixo o sal para o mar,
onde hei de banhar-me,
sob a luz vibrante do sol...

Ah, sol! Venha esquentar-me,
acariciar-me...
Faça-me livre!

Enquanto as ondas levam consigo as tormentas,
espero ficar só com meu coração,
aqui, em paz,
por um pequeno quarto de hora,
ou um único momento...

Poderei então viajar,
caminhar por novas planícies,
visitar lugares desconhecidos,
revolver terras vermelhas com meus pés descalços...

E quando chegar o luar,
vestirei o meu mais belo vestido,
usarei os melhores colares,
fantasiar-me-ei de rainha,
e como rainha viverei, por um bocado suficiente de tempo
para que possa depois,
no esquecimento deixar...

Dancarei com aquele homem de camisa cafona,
aquele que me olha sem cessar,
direi a ele algumas palavras sem importância,
enquanto bebo mais uma taça,
só mais uma,
ou duas,
daquele vinho doce e vagabundo...

Nessa noite serei feiticeira,
seria menina, mulher, faceira...

Sei que o amanhã virá,
mas será um outro dia,
mais um dia,
como outro dia qualquer...

Talvez volte a inércia dessa vida morna,
que me mantém em convenções amarrada.
Serei novamente isenta de maldades,
de bondades,
serei tão somente eu,
simplesmente eu,
uma parte de tudo, ou de quase nada...

Ou quem sabe eu dê um grito,
e corra desesperada,
talvez alcance a coragem, agarre-a,
abandone o meu rebanho
e seja enfim a ovelha desgarrada...

Por enquanto continuo assim,
em busca da liberdade sonhada...


*****

POEMA DE AMOR / SENSUAL

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LUXÚRIA

Tua boca tem um gosto bom de sei lá o que,
tem um cheiro delicioso que não posso sentir,
guarda o desejo obscuro do que fantasio viver,
se abre pra mim em sonhos que me permito ter...

Tua língua, como que em rima, dança com a minha,
experimenta a vontade de fazer-me tua rainha,
não tem pressa, não corre, paciente... caminha,
vagarosamente, num romance mágico, me acarinha...

E tomando força, vai roubando o ar, eloquente,
esquece tudo que há em volta, quer objetivamente,
pegar-me com força, ideia que não sai da mente,
resvalando na sanidade louca de ter-me coerente...

Coerente como? O que é pensar? Insensatez tomou lugar!
No embalo da tua voz rouca em meu ouvido a sussurrar,
me consumo de desejo febril (senil?), anseio me entregar,
devotamente, voraz, me contorcendo, louca por te amar...

Me ponho a bailar, embriagada pelo êxtase luxurioso da paixão,
me permito qualquer invasão, perdida em prazer, nenhuma razão,
vejo até as estrelas que não existem pelo toque da tua mão,
que envolve meu corpo com precisão, exatidão, perfeição...


*****

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

POEMA DE AMOR


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IRRESISTÍVEL

Você é...

A chave que a abre a cela da minha prisão
A lua que de tão linda, me enche de emoção

O fogo que me aquece em dias frios
A deslumbrante cachoeira que desagua em meu rio

O raio de luz que ilumina minha vida escura
Para todas as doenças, é a única cura

Você é...

O sorriso que leva embora toda a tristeza
O sol que brilha intenso, trazendo beleza

Aquele que faz florescer em pleno outono
É o abraço, o afago que me acalenta o sono

A companhia que afugenta a dor e põe fim à solidão
A melodia que faz bailar vigoroso o meu coração

Você é...

O sopro de vida onde só havia morte
O presente, o futuro, é o que me faz forte

A minha dose exata de determinação e coragem
A chuva que acaba com a longa estiagem

Na desilusão você é a minha esperança
Só você consegue me fazer rir como criança

Você é...

O encaixe perfeito que sacia o meu corpo
E logo me faz implorar, sedenta, por mais um pouco

Aquele que possui o melhor gosto, mais saboroso que mel
Me deseja, me despe, e ao me amar me leva ao céu

Me levanta do chão, me faz voar e muda meu destino
Me apresenta às estrelas e torna tudo cristalino

Você é...

Tudo o que importa, que deu sentido ao que era nada
É cada gesto, cada sentimento, cada detalhe, cada palavra...

Infinitamente mais belo que a mais esplêndida flor
Dentre todos, tem indubitavelmente, o melhor odor

É um feitiço, um delicioso brinde à vida e todo seu esplendor
Voce é um convite, absolutamente irresistível, ao amor!



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domingo, 29 de novembro de 2009

POEMA DE AMOR


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ETERNAMENTE


Em ti,
me sinto presa e com restritas opções;
ou talvez só esteja perdida,
numa avassaladora torrente de milhares de partículas
revoltas,
das mais inexplicáveis emoções...

Estão todas aqui, misturadas,
embaralhadas,
emaranhadas,
entranhadas em minha mente,
tão aturdida...

Gostaria de poder entrar nessa guerra comigo mesma,
sempre tão pacífica por fora,
demasiado intensa por dentro,
quem sairia vencedor?
Poderia esquecer ou estaria fadada ao amor?

Ah! Como gostaria (será?) de esquecer...

Talvez seja só essa inquietante sensação
de que o esquecimento,
traria consigo a calma, a paz...

Ou de que talvez,
quem sabe, por pelo menos um pouco de tempo,
eu pudesse viver,
como se nunca antes tivesse amado,
tanto...

Seria mais sensato fugir, desistir...
Sensato?
Desde quando esse sentimento habita em mim?

E ainda que a mim pertencesse, essa tal de sensatez...
como me esconderia do espelho?
O olhar-me, ainda que hesitante, ou de relance apenas,
obrigar-me-ia a ver mais de perto,
a mergulhar em mim um pouco mais profundamente...

Inevitável se faz ver ali, refletido,
tudo aquilo que tento esconder,
o que duvidei ter,
o que julguei jamais poder ver...

Eí-la aqui, diante de mim,
existe de fato então minh'alma!

Constatação inexplicável, indelével...

Sim.
Eu a vejo,
e vejo mais,
vejo tudo...

Cessam as perguntas,
tudo torna-se claro, alvo e perene...

Qualquer guerra será em vão,
toda luta para apagar-te do meu coração,
resultará na frustração da indubitável impossibilidade,
ou na euforia contraditória da simples confirmação,

de que estás e estarás, eternamente, em mim...


*****

POEMA DE AMOR


*****





AJUDA-ME

Quem és tu?
De onde vieste?
Por que chegaste?
Para onde caminhas?
O que afinal pretendes?

Por que aqui?
Por que agora?
Por que comigo?

De todas as perguntas,
uma em especial me assola:

Por que não me deste chance,
uma única chance, de a ti me negar?
Por que desejou tanto me fazer te amar?

Se sabia que não poderias ser meu,
porque malditamente me escolheu?
E porque, tão estúpida não reagi?
Mesmo quando todos os meus instintos gritavam,
porque deliberadamente me neguei a ouvir?

Mas e a ti? A ti não fui capaz de negar-me.
A ti, tão somente me entreguei...
assim, sem mais nem menos, sem explicação,
deixei-me louca, envolver nessa teia de paixão.

Até quando permanecerei nela enlaçada, amarrada?
Estará minha vida toda, tão desumanamente traçada?
Quantas lágrimas mais haverei de derramar,
até que meu coração, fatigado, desista de te amar?

Preciso de respostas!

Necessito com urgência saber,
desesperadamente tenho que entender...
Conseguirei um dia esse vazio preencher?
Como? De que maneira hei de fazer?

Ajuda-me!

Juro-te que estou tentando,
e tanto, e tanto...
Mas continuo me machucando;
só, e cada vez mais me maltratando...

Evito sonhar que um dia possas voltar,
Forçosamente me repito, mil vezes, 'ele não quis ficar'
Mas a esperança... essa não consigo domar,
e por mais que fuja, ela insite em me agarrar...

Então ajuda-me!

Por Deus, responda-me sem hesitar,
e o faça com certeza no olhar,
faça de forma que eu não possa duvidar,
dê-me a resposta na qual preciso me apegar!

Pode afinal, um amor verdadeiro acabar?


*****

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

POESIA DE AMOR E PERDA


*****



O AMOR MORREU


A porta bateu...
forte, pesada, gritante em meus ouvidos doloridos;
som que ecoou no profundo da minh'alma,
desmanchou-me, fazendo-me desfalecer na certeza.

Certeza de sonhos perdidos...
O amor morreu!

Demorou,
mas pude enfim, letárgica, levantar-me...

De que adianta o coração bater,
se na verdade já não vive mais?
A cada bombear alimenta meu corpo,
que prostrado, padece pela falta tua...

Sim.
Eu continuo a respirar,
sigo a caminhar,
ainda posso escutar,
consigo até mesmo falar...

Para que? Por que? Para quem?
Importa?

Não tenho nada a dizer...

E o que diria?
Que da vida não desisti?
Que perdi o amor,
a chance de ser feliz,
mas ainda assim estou aqui,
de pé,
que resisti?

Devo maquiar meus sentimentos?
Por qual maldita razão?
É mesmo tão vital e importante,
ou será só conveniente e agradável, continuar a sorrir?

E se assim és,
então ensina-me!
Por favor, imploro-te, ajude-me a fazê-lo!

Como é que posso pisar descalça em brasas,
queimando meus femininos pés delicados,
e ainda assim,
ignóbil, abjeto, torpe, vil,
dissimuladamente, simplesmente sorrir?

Quem dera fosse a mim tão fácil...

Quisera esconder que meu peito rasgado chora,
que meu coração fora destruído pela mentira do amor...
Tão somente, sonhado...

E agora?
Como aprender a aceitar docilmente que o amor,
verbo por mim tantas vezes conjugado,
jamais será, em mim, concretizado?

Como posso estar impassível, agir comumente
se estou a sangrar,
debruçada em meu sofrimento que arde, fremente?
Se sinto, sei, estou irremediavelmente doente?

E de que servem afinal tantas lamentações?
Elas não me fazem mover, não me trazem de volta à razão...

Talvez seja só,
o momento certo de contar uma mentira qualquer,
impingir a mim mesma uma desculpa esfarrapada,
e fingir com aquela ironia quase hipócrita
um sorriso de contentamento,
dócil ou malicioso,
de canto ou escancarado...
Desde que seja, um sorriso.

Não é disso que as pessoas precisam?

Então hei de manter as lágrimas trancafiadas
nessa cela suja e escura (meu coração?)
para libertá-las tão somente à noite...

Noites frias ou quentes,
em que as demarrarei só,
sob o chuveiro que derruba sua água quente sobre minha pele dormente;
sentada sobre os meus calcanhares cansados;
ou em minha cama vazia...

Em meu momento,
aquela pequena fração de hora,
único periodo de tempo
em que as terei aqui,
comigo,
minha verdadeira companhia
minhas gotas de cristais,
essas que nunca me abandonam,
que não se esquecem de rolar por minha face pálida...

Nesse instante, na companhia delas,
eu posso ser eu,
só eu,
em absoluta verdade...



*****


quinta-feira, 26 de novembro de 2009

POEMA DE AMOR / SENSUAL


*****




SEDE

Eu tenho sede imensa de te amar,
de em teus beijos doces ou loucos me deliciar,
de sentir meu corpo novamente a se anestesiar,
quando me pega de qualquer jeito, sem planejar...

Quando me ama com calmaria,
nossas línguas dançando em harmonia,
e docemente, de leve me acaricia,
deitada por sob seu corpo... fantasia.

Quando me ama com selvageria,
me beija com força em demasia,
viril, com febre, bruto, sobre minha pele macia,
e de tanto êxtase do teu contato, me contagia!

Me faça tua como quiser,
a qualquer hora, em qualquer lugar.
Me ame do teu jeito, e o faça sem parar,
depois me deixe deitar no teu peito, e descansar...

Mas me ame!

Necessito sentir a tua pele por sobre a minha,
o roçar dos teus dedos que em meus lábios caminha,
tuas mãos entrelaçadas em meus cabelos,
me amando loucamente e beijando meu corpo inteiro!

Essa saudade (necessidade) ainda vai me sufocar,
mas enquanto estiver comigo estarei a respirar...
Fique para sempre meu bem, fique! Porque se me deixar...
Me desculpe, mas juro-te, não poderei suportar.

Então não se vá, seja minha razão...
Me alimente mais do teu coração,
cante em meus ouvidos a tua melhor canção,
me dê um pouco mais da tua emoção.

Mas faça!

Faça algo por mim, pra mim,
fale algo que me agrade enfim,
me engane se preciso for,
mas me dê o que necessito...  Teu amor!


*****

domingo, 22 de novembro de 2009

POEMA

*****




SOLIDÃO

Daqui, desse ângulo escondido de janela
avisto de longe,
calada, quase recatada, o movimento...
São homens, mulheres, crianças, seus cachorros,
estarão eles, felizes?

Volto pros meus pensamentos,
mas neles não consigo ficar...

Timidamente torno a olhá-los,
não me dizem nada...
Estão apressados, ou andam calmamente,
conversam, ou seguem calados...

Continuam só, a caminhar,
seus passos movimentando o ar,
empurrando o vento...

Mas é aquele casal a se beijar que me prende,
aqui,
à minha janela...
Duas pessoas normais, como outras quaisquer,
acometidos por uma síndrome passional,
se comem em olhares e gestos.
Paixão?

Tenho vontade de gritar que saiam,
estão a me incomodar sobremaneira,
me tornam muito,
ou talvez ainda um pouco mais que isso,
quase insuportavelmente,
inquieta...

Os sons vindos lá de fora, misturam-se
ao ruído da TV:
- mais uma garota morta.
- novidades de uma velha guerra...
antigas notícias, contadas de uma nova forma...

Tento me concentrar,
mas os passáros lá fora não cessam em cantar.
Estariam fazendo uma sinfonia ao casal apaixonado?
Ou será o canto proveniente das asas,
da sublime sensação de poder voar?

Ah! Gostaria eu também de voar...

Me aproximo da janela,
bem mais perto do que o habitual,
quase tão perto que posso sentir o cheiro do asfalto,
lá, bem lá embaixo,
ele parece me chamar...

Poderia eu voar,
ainda que por alguns poucos segundos?
Seriam esses segundos suficiente liberdade?

Mas e se o pássaro não estiver a cantar?
Talvez seja só o choro,
de um indefeso animal preso,
acuado,
em uma gaiola qualquer...

Afasto-me da janela,
a gola dessa blusa apertada está a me sufocar.

Me sento,
mas o meu velho sofá já não é mais confortável...
As cores que revestem essas paredes ao meu redor
já não agradam meus olhos cansados...

Se pelo menos eu pudesse ver o mar!
Seria eu tão ousada?
Capaz de nele, sem medo mergulhar?
Mas e se as ondas não forem capaz de me abraçar?

Recorrerei então a uma dessas pessoas,
qualquer pessoa,
que daqui, dessa velha janela vejo passar?

Em meio a esse transe de pensamentos,
assolada por uma intensa ansiedade,
preciso parar por um momento,
ou mais...

Seja quanto tempo for,
sei que preciso de tempo suficiente para me lembrar...

Como é que se pede um abraço?





*****

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA


*****





CONSCIÊNCIA E AMOR

Hoje temos enfim a consciência negra!
Será que temos?
Ou é so mais um dia?
E se de fato temos,
então sento em minha velha cadeira de palha e fico a pensar...

Quando é que teremos a consciência humana afinal?
Haverá uma data para comemorá-la?

Quase me levanto,
num arroubo tenho vontade de correr,
bater às portas e dizer:

- Não! Não necessita!

Esqueçamos os feriados,
deixemos de lado a hipocrisia,
fiquemos tão somente com a consciência!

Ela nos basta!

Ou será insuficiente?
Essa não deveria ser nossa humanidade?

Utopia?
Talvez...

Mas gosto de fechar os ohos e imaginar
esse mundo onde não se veja raça,
aonde o credo, a religião, a cor, nada disso faça diferença!

Afinal de que cor é o coração?
Afinal qual é a cor do amor?
Afinal a que religião ele (o amor) pertence?
Existe algum povo ou raça que seja mais dono dele, o amor?

Ah! que bom seria, se todos pudessemos conviver,
e nos respeitar, sem restrições...

Que muçulmanos, católicos, judeus, budistas, evangélicos, espíritas, ateus...
Que brancos, negros, amarelos...
Que todos pudessem simplesmente se dar às mãos!

Que todas as pessoas conseguissem enfim, ver além do que os olhos mostram,
olhos cansados dessa vida amarga,
cegos pelo estupor do ódio...

Será sonhar demais imaginar que eles (os olhos) possam se abrir,
para que com eles, se abram as portas da alma e do coração?!

Fico a imaginar (fantasiar?) a maravilha que seria falarmos todos a mesma língua!
E que por mais línguas que se fale mundo afora,
conseguíssemos enfim nos entender com uma única, que une a todos,
a língua falada por nossos coraçôes...
A esse idioma poderíamos chamar: amor, afeto, respeito, solidariadade...

E se o coração falasse,
aqui, ali, acolá,
em qualquer lugar...

Cada um em si,
e todos em um...
Irmãos em carne e osso
irmãos em humanidade;

Ainda que separados,
talvez um dia,
sem que haja necessidade de se comemorar
sejamos um povo,
um pedaço do todo,
ou o todo desse pedaço imenso,

chamado Terra!

ah! Será mesmo tão difícil?
A mim parece simples, fácil, quase corriqueiro...

Só precisamos AMAR!


*****

POEMA

*****




MIRAGEM


De longe avisto cada curva e forma,
e por mais longe que esteja
posso reconhecer,
a silhueta de um corpo qualquer,
que não é qualquer corpo,

é o seu...

Nas areias claras e quentes
a sombra desenha as formas perfeitas
daquilo com que sonhei
por tanto tempo,
calada...

O sol brilha incandescente,
bronzeando tua pele
e esquentando meu coração
que queima, que arde, que pulsa,
fremente,
está vivo!

Dominada por esse sentimento novo
(sentimento?)
Estranho,
incomum,
intenso...

Me pergunto como agir.
Fugir?
Seguir?
Me pergunto porque insisto tanto em me perguntar...
Importa?

Tiro meus chinelos,
Sinto a brisa do mar bater-me no rosto,
faz-me bem,
torna-me nova, renovada,

Vem à boca aquele sabor,
ah! Doce sabor...
Sabor de querer ser amada...

Minha saia branca rendada parece querer voar
como quem dança ao som do vento
seguindo o teu movimento,
ousada...

Te vejo a se mover,
és Apolo,
e como um Deus vai ao mar...
Costas, pernas, pescoço
andar que parece gritar

Estas me chamando?
Hipnotizador canto das sereias?
Tu, continuas calado...

Mas o canto não cessa,
chamar que ecoa em meus ouvidos,
me domina,
faz-se irritante agora...

Preciso adentrar essas águas,
quentes ou frias,
calmas ou revoltas,
só quero um pouco da espuma
esse punhado branco de onda,
o resto não importa,
só tenho que mergulhar...

Quando penso ir contra,
me empurro em tua direção.

Assito à imagem, única imagem
das ondas batendo em tuas pernas com força
e aquela porção de água se debatendo,
voando,
ao teu encontro,
e para longe de ti,
para depois, em minha mente,
fazer-se eterna...

Eternizada também em meu coração?

Esse segue assim,
sem entender,
mas acelerado.

Apaixonado?
Talvez.
Ou talvez seja só...

Mais uma miragem...

*****

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

POEMA DE AMOR

***



NECESSIDADE

Tenho necessidade imensa do teu coração
de morar dentro dele, com ou sem razão
de preencher tua vida com luz e emoção
de viver contigo uma inebriante paixão!

Tenho necessidade imensa da tua alma
de adentrar teus pensamentos com calma
de encher tua vida de amor e ternura
ser amada por ti da forma mais pura...

Tenho necessidade imensa do teu corpo
nele me perder, e em êxtase me deleitar
saciar os meus desejos secretos de luxúria
estar em ti, e em ti voltar a me encontrar...

Nessecito sentir teus lábios em mim passeando
tuas mãos másculas com força me dominando
tua voz rouca, loucuras de amor sussurando
com intensidade, desejo e com sede me amando

Necessito mais que teu corpo, alma e coração
necessito teus cabelos, tua pele, tuas mãos
teu sorriso, tuas tolices, tuas cismas
teus chiliques, teus versos, tuas rimas

Necessito tuas lágrimas, tua língua, teus dedos
tuas dores, alegrias, bobagens, teus anseios
teu calor, teu suor, teu tempero, teu cheiro,
necessito tua companhia, teu ciúme, teu exagero

Tenho necessidade descomunal de teu tudo
de te ter pra mim, e ser pra ti o mundo
ser delicadamente e com carinho afagada
e no frenesi da paixão, ser por ti desejada

Tenho necessidade insana de ser tua!
Me entregar pra ti, meu homem, nua e crua... 
Tu, que domina os meus instintos, o meu coração..
Só tu, a quem amo e amarei com eterna devoção!



***

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

POEMA DE AMOR E SÚPLICA


*****




NUA

Lembranças brotam lentamente
Suas imagens refletem...
Saudades latente
Pensamento persistente

Meus lábios rosados que um dia foram amados
Agora estão vermelhos e inchados
Meus olhos marejados, cansados
Ombros pesados... carregados

Saio à rua sem tempo
Cabelos soltos balançam ao vento...
Madrugada fria me abraça
Memória pouco a pouco me mata

Vento forte impiedoso sopra em mim
Leva consigo tudo o que havia aqui
Deixa só mais medo e solidão
Pés descalços a gelar nesse chão...

Estou a mercê de nem sei o que
Desprotegida em meio a solidão
Assolada por todo tipo de sensação
Dor, aflição, pesadelo, sofreguidão..

Não vejo razão..

Me dispo de tudo
Dos objetos, das roupas
Das intenções
Do que é certo

Fico nua..

E nua continuo a vagar pela rua
Madrugada gelada
Alma devastada
Procuro tua porta, só pode ser a tua...

Experimentar outra vez
Só mais uma vez...

Teu beijo com meu gosto
Tua pele com meu corpo...
Teu cheiro em mim impregnado
Teu corpo ao meu entrelaçado..

Sem camuflagens
Tiremos as máscaras
Dessa vez por inteiro
Amor puro e verdadeiro

Desejos obscuros
Sonhos secretos
Tudo revelado
Tudo relevado...

Amor inevitável
Eterno e implacável
Amor vivo em meu peito
Aquele amor do nosso jeito..

Abre a porta enfim
Olha espantado pra mim

Te vejo...

De todas as partes desse amor
Me diz, de todas elas
O que foi que para ti restou?


*****

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

POEMA DE AMOR

*****





FIQUE

A distância é cruel e faz pungente a dor,
ela fere mas não aplaca a força do amor,
eu fecho os olhos e te vejo aqui toda noite,
me rasga lancinate, me pega firme de açoite!

Se deita com outra pessoa, mas eu sei, está ausente,
viaja em meu corpo, é meu rosto que vê novamente...
Mesmo não estando contigo, sabes que estou presente,
nossas almas entrelaçadas, se pertencem eternamente...

Não há como desistir de te ter, me amando...
Enquanto meu coração bater estarei esperando.
Ninguém disse que seria fácil, e não é!
Preciso insistir, acreditar, lutar e ter fé...

É insensato, mas não vou mais fugir do que sinto,
minha intuição diz que serás meu e não minto.
Pertenço a ti, a mais ninguém, meu corpo aflito,
te quero como nunca antes, daqui até o infinito...

Venha logo e tire esse punhal do meu peito,
me abrace, me beije, me ame do teu melhor jeito,
diga qualquer coisa, sussurre pra mim uma bobagem,
faça como quiser, mas fique, não venha só de passagem!




*****

sábado, 31 de outubro de 2009

POEMA DE AMOR


*****





VOCÊ

Devagar, tímido, desajeitado, quase sem falar,
se aproximando aos poucos me fez te notar,
e sem que eu percebesse já fazia diferença,
tornou-se impossível não sentir tua presença.

Meu peito começou a vacilar, descompassado,
arritmia do coração, já tão desacostumado,
fiquei perdida em meio a sentimentos loucos,
sem entender o que me acometia aos poucos.

Então segui, fingindo indiferença, sorrindo,
tentando ignorar o óbvio, eu estava caindo...
tuas garras vinham em formato de palavras doces,
marcando território em versos encantados de amores.

Deitada e só, procuro no teto uma estrela amarela,
elas não podem entrar, meu peito insano se rebela,
enquanto dormes em tua cama quente de jasmim,
me desfaço em pensamentos de tê-lo aqui, em mim... 

Da vontade não saio incólume, quero sem demora,
meu corpo implora que tomes conta de tudo agora,
preciso desesperadamente... Perturbadora ansiedade,
Mas tu não te demoras, conhece a minha necessidade,

Não te negas a nada, és meu, me oferece tudo
chega até mim, e me mostra o melhor do mundo
me entrega teu amor, toma o meu sem pedir licença,
não importa, és meu porto, meu céu, minha crença!!

Quando se vai, deixa tudo em mim, entranhado,
teu suor, teu cheiro, o atrito do teu corpo molhado.
Leva consigo a minha alma, meu coração, o meu rosto,
minha vida, minhas lágrimas e na tua boca o meu gosto.

A mim só resta sonhar e chorando de saudade esperar,
o dia em que te verei voltando, para sacramentar,
me mostrando teu sorriso lindo, malicioso, leviano,
olhando no fundo dos meus olhos prá dizer: eu te amo!!


*****

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

POEMA SENSUAL

*****




LENÇÓIS

Deitada de bruços, me agarro aos lençóis,
cheiro o salgado suor que emanou de nós,
fico a imaginar tudo o que aqui vivemos,
pensando nas loucuras que ainda podemos...

Ouço os teus sussurros de amor... Som vivo,
não lamento nada, mesmo com o peito aflito.
Teus contornos continuam aqui desenhados,
traços na minha cama, lençóis desalinhados...

Tua presença não vai embora mesmo quando sai,
bate a porta, mas deixa tudo de ti pra trás.
Teu cheiro, teu toque, teu sorriso, teu rosto,
está tudo intacto, na minha boca o teu gosto.

Roupas espalhadas, escova jogada, espelho caído,
tua ausência me maltrata... No meu corpo um gemido,
aos poucos vou morrendo, minhas forças se esvaindo...
Não! Não foi tudo engano, não posso mais te ver indo!

Sussurraste em meus ouvidos: - Eu te amo, meu bem;
não tem retorno, estás em mim, estou em ti também,
vontade me assola, te chamar gritando: - Estou nua!!
Pra te ver chegar, me fazendo o que sempre fui: TUA...



*****

domingo, 25 de outubro de 2009

POEMA DE AMOR

***



AMOR

Só de ti consigo falar,
só contigo sei respirar,
és a razão para continuar...

Querer muito, falar bem pouco,
vontade insana enlaça meu corpo,
necessidade pungente, desejo louco...

És único em todo o meu ser,
sentimento que não posso deter,
bem estar bem, querer por querer...

Mel derramado sobre o meu leito,
nome do homem por mim eleito,
letra maiúscula gravada em meu peito...

Único signo do meu zodíaco,
aroma mais do que afrodisíaco,
bálsamo que faz de mim maníaco!

Meu chorar, meu pedir, sacrifício,
origem, causa e fim do suplício,
meu nada, meu tudo, loucura, meu vício...

Respirar que proclama o instinto,
pensamento traz tudo o que sinto,
medida exata do que é o infinito:

Amor!

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

POEMA DE SÚPLICA

*****




LABIRINTO MEU

Dentro do meu peito, um coração pungente,
descontrolado, se debate, descontente
flutua nas imagens do teu corpo ausente,
busca a razão, tornando-me demente.

Tento em vão sair deste labirinto,
procuro teu cheiro, cadê? Não sinto...
Tropeço em mim, perdida, fumegante,
preciso de você, só por um instante.

Momento que não chega, ausência torturante,
teu rosto não vislumbro, dor lancinante!
Maldita saudade que arde, angustiante.
E você aqui em mim, bem querer incessante...

Quando é que vai, afinal, chegar?
Quando vai em teus braços me tomar,
e com teus lábios aflitos me beijar?
Quando é, por Deus, que vai enfim me amar?


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POEMA DE DECEPÇÃO

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ESCURIDÃO

Te amei com força, intensidade, vontade
Recebi em troca traição, maldade, infidelidade
Depositei em ti meus desejos mais profundos
Pisou neles como se fossem sujos, imundos

Porque me trataste assim?
Pensaste que eu era uma qualquer?
Que não posso ser amada por ninguém?
Engana-te, sou melhor, valho bem mais do que você!

Te amei com todo meu coração
Hoje te odeio com força e escuridão
Tudo que era bonito agora é feio
Meu peito a ti se fechou por inteiro

Podes pedir, implorar, rastejar...
Nunca mais, nem em teus sonhos, meu amor terá
Jamais, nem sequer por um instante me possuirá
O meu corpo a ti não pertence nem nunca mais pertencerá

Odeio-te com mais do que meu coração
Odeio-te também com a força da minha razão
Me teve nos braços e não me deu valor
Pisou em mim, me teve como se fosse um favor

Hoje só o que sinto por ti é asco, nojo
Não vais me ter por mais que estejas desejoso
E não há mais nada que possa fazer para mudar
Por mais que chore, se derrame, não adianta implorar

Minh'alma sabe que nada daquilo valeu a pena
Você é muito pouco, sua alma é muito pequena
Conseguiu transformar o que era branco em preto
Agora conviva com isso, deleite-se no seu desespero
Grite, chore, enrolesse no seu maldito travesseiro.


*****